• O mito da “super-esposa”

    by  • 28/02/2014 • Casal • 8 Comments

    Super mulher, esposa, mãe, profissional... Foto: Cíntia Costa| Blog Recém-Casada

    Uma amiga mandou esse texto com dicas para ser uma esposa irresistível. O texto aconselha a esposa a ser 360 graus: voltar do trabalho e deixar o cansaço pra lá pra cuidar do marido, das crianças e da casa. Prover conforto e comida pro marido (e uma cerveja gelada no sofá de vez em quando), resolver o dia a dia do lar (como lidar com a empregada, trocar eletrodomésticos, chamar o encanador) sem ficar importunando o marido com essas conversas chatas. Jamais criticar a folga do marido, por que isso irrita. Se cuidar fazendo regime, academia, depilação, manicure, tudo pra ficar linda e deixar o marido orgulhoso na hora de te apresentar pros outros. Jogar fora os pijamas velhos e dormir sempre bonita. Ah, e claro: ser ótima parceira sexual e não recusar quando ele quiser transar, mesmo que você esteja cansada.

    Depois de ler, cheguei à conclusão de que também quero uma esposa assim! E olha que sou hétero!

    Porque, né? Quando alguém faz tudo e nosso papel é só chegar em casa, jantar, tomar uma cervejinha no sofá e ainda get lucky na hora de ir pra cama, a vida tá ganha! :) Quem não quer casa, comida e roupa lavada?

    Agora, estar do outro lado, Deus me livre e guarde. Porque quando tudo isso vira obrigação (disfarçada de “habilidade natural”), ainda mais sob pena de “perder o marido pra outra” como ameaça a sociedade, o jugo pesa. A gente pode tentar e tentar e tentar, e sempre vai ter algo que não vai sair tão ótimo assim. E aí vem a frustração, a culpa, o estresse de não conseguir ser a esposa perfeita.

    E a saúde mental? Um nível de estresse sem tamanho com toda essa responsabilidade de fazer tudo isso direito, de fazer sozinha o casamento dar certo. Ah, o mito da super-mulher, esse fardo disfarçado de elogio…

    Casamento não era pra ser uma parceria? Que tipo de parceria é essa em que a esposa leva todas as obrigações nas costas sem reclamar porque “os homens tem outro ritmo”? Em que um marido cansado depois do trabalho não deve ser importunado com problemas da casa porque ele merece descanso, enquanto uma mulher cansada depois do trabalho tem que dar um jeito de resolver esses mesmos problemas sem ficar reclamando? E o descanso dela? E esse papo de que, se o casamento não der certo, se o marido arrumar uma amante, é culpa da esposa, afinal “ele foi buscar na rua o que não recebeu em casa”? Gente…

    Casamento pra mim é outra coisa. É a gente fazer, sim, de tudo pra ser agradável e oferecer conforto pro outro. Se manter atraente, paparicar, manter um ambiente gostoso em casa. Mas também é receber o mesmo de volta. Ter alguém que também se esforce pra nos dar conforto e ser agradável com a gente. Fazer o outro feliz mas também ser feliz. Se você é a esposa perfeita e seu marido está mais que satisfeito, mas você não tá feliz, amiga, seu casamento não anda bem…

    Precisa ter equilíbrio. Ser esposa não é sinônimo de ser mártir… Casamento é via de mão dupla, não rua sem saída! Se a única pessoa na casa a “priorizar o casamento”, como diz a moça lá no outro blog, for você, a coisa não funciona.

    Pensando bem, eu não queria uma esposa assim, não… Quando a gente ama alguém, a gente não deixa ela levar tudo nas costas em nome do nosso bem-bom.

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    Já queimei arroz, mas hoje faço o melhor molho à bolonhesa da cidade!

    8 Responses to O mito da “super-esposa”

    1. adriele
      28/02/2014 at 1:31 pm

      Amei, cinta! Casamento eh parceria e estamos todos aqui pra sermos felizes e não pra nos afogarmos em obrigações com medo de perder marido. Isso eh medo, e medo.nao eh feliz! Bjo

    2. 28/02/2014 at 6:54 pm

      Ser esposa não é sinônimo de ser mártir!!
      mandou muito bem dona Cintia. Fiquei aqui pensando com os botões: será que não casei pq não consegui descolar da idealização da esposa???
      Será?
      Vou ali pensar…
      Obrigada pelo texto lindo.

    3. 03/03/2014 at 2:33 pm

      Olá!!
      Adorei o texto! Parabéns!
      Realmente a princípio, eu também gostaria de uma esposa assim! E também sou hetero! Adorei o final do texto: “Pensando bem, eu não queria uma esposa assim, não… Quando a gente ama alguém, a gente não deixa ela levar tudo nas costas em nome do nosso bem-bom.” Relacionar-se é um aprendizado constante! Beijos

    4. Luana
      03/03/2014 at 5:23 pm

      Meu Deus!!! Esse texto saiu de uma máquina do tempo? Será que a pessoa que escreveu isso ainda não percebeu que esse modelo não dá certo? Péssima essaidea de que a.mulher tem que se sujeitar a qualqier coisa. Num casamento assim não acho que a mulher tem que ter medo de “perder” o marido, mas o contrário!
      Concordo que casamento é parceria! Que os dois contribuam para o outro tenha dias mais agradáveis!

    5. Claudia Freitas
      07/03/2014 at 10:46 am

      Cíntia, cliquei no link e te confesso que não fiquei tão surpresa por esse texto estar postado nesse blog especificamente.

      Te digo que aquela mãe e esposa, que postou esse texto, não faz diferença nenhuma. São mulheres que vivem em um mundo completamente diferente do nosso, elas nunca devem ter lavado uma louça, a irmã dela que teve bebê recentemente causou um reboliço no instagram quando contou que nunca trocou fralda e nem deu banho na filha. O que quero dizer com isso é que aquele texto cai como uma luva pra ela porque ela não tem que se preocupar com nenhum afazer doméstico, a vida dela é tão surreal (pra nós pobres mortais) que eu nem consigo imaginar ela refletindo texto que você postou aqui, entende?

      Pra ela é simples estar cheirosa e perfumada para o marido, estar com a casa limpa e organizada, a criança dela deve ficar o tempo todo impecável, de banho tomado e cabelo escovado e tudo isso porque ela tem pessoas que fazem isso pra ela, ela apenas supervisiona, então ela cumpre aquele papel perfeitamente, até eu cumpriria. kkkk

    6. 09/09/2015 at 4:25 pm

      Essa e a maior frustração do casamento. Talvez o único ou maior dos motivos de separações.

    7. Cíntia Costa
      29/09/2015 at 8:27 pm

      Falou tudo, Karina.

    8. Pingback: As Mulheres Que Não Existem | Cintices

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